OS SETE RISCOS QUE ENFRENTAMOS

Nesta crise desencadeada pelo Covid-19 corremos sete graves riscos, que podem ter um efeito devastador sobre as nossas sociedades e o nosso modo de vida.

  • O risco da pandemia não ser controlada em tempo útil e devastar a vida de milhões de pessoas nos cinco continentes. A gripe espanhola terá morto mais de 100 milhões de pessoas. Esperemos que, com os meios que hoje a ciência dispõe e com a taxa de mortalidade do coronavirus (que atinge sobretudo as pessoas idosas ou com deficiências no sistema imunológico) fiquemos longíssimo de tal número. Contudo, cada vida que se perde é uma perda irreparável. E estamos a aproximar-nos do meio milhão de pessoas infetadas em todo o mundo. O risco maior está agora nos países que subestimaram o risco, caso dos Estados Unidos e Brasil, ou nos países abaixo do Equador, onde será muito difícil mudar rapidamente os hábitos da convivialidade tátil que estão profundamente enraizados.
  • O risco do colapso dos serviços de saúde devido à rapidez com que se espalha o vírus e com o número crescente de pessoal médico, de enfermagem e dos serviços de apoio que está a ser infetado, devido à falta de proteção em condições para tratar dos doentes. Eles são os soldados na linha da frente, tem de ser protegidos com o que de melhor e mais eficaz estiver disponível. Sem eles, esta guerra fica perdida e a epidemia torna-se incontrolável.
  • O risco da desagregação dos circuitos de distribuição de mercadorias. É fundamental que as autoridades estejam particularmente atentas a fenómenos como o açambarcamento e a especulação, mas também à necessidade de garantir vias rápidas e expeditas para os alimentos chegarem à população. De outro modo, corre-se o risco do pânico e de tumultos.
  • O risco de deixarem de ser garantidos serviços essenciais à nossa vida, como os fornecimentos de água, luz, gás, bem como a recolha dos lixos urbanos e o seu tratamento. Qualquer falhanço nestas áreas não só instala o alarme social como aumenta a possibilidade de ao coronavirus se juntarem outros graves problemas de saúde pública.
  • O risco de os políticos, dominados pela ortodoxia neoliberal, resistirem a que se quebrem todos os espartilhos orçamentais para combater o declínio brutal a que se está a assistir na economia europeia. Estamos claramente numa situação de guerra, em que a economia está ferida de morte. Nesta situação, não será a iniciativa privada a arriscar. Teremos de ir reler Keynes e perceber que é agora que a injeção em doses massivas de dinheiro público na economia, nas empresas e nas pessoas faz todo o sentido. O reverso disto é o colapso da atividade económica, milhões de desempregados, o aparecimento de bolsas de fome em larga escala e um buraco negro que colocará em causa a União Europeia e o euro. Em tempo de guerra não se limpam armas nem se pensa em défices.
  • O risco da falta de solidariedade entre países, com alguns a quererem garantir para si a vacina contra o coronavirus. Ora a vacina, quando aparecer, terá de ser aplicada como o foi a vacina contra a sida: de uma forma universal. É inadmissível que alguém queira restringir a sua aplicação a um país e à sua população ou que se queira fazer negócio com ela tornando-a acessível apenas a alguns.
  • O risco de, com o correr do tempo, começarmos a relaxar no comportamento social que devemos manter para evitar a propagação do vírus, nomeadamente mantendo-nos em reclusão caseira enquanto as autoridades o determinarem, sairmos só quando tal for estritamente necessário e obviamente não realizar festas e outros ajuntamentos, ou beijos e abraços, que possam contribuir para o recrudescimento da pandemia. Afrouxar nestes comportamentos é o mesmo que possibilitar uma segunda vaga da pandemia.

Enfim, mantenhamo-nos alerta e vigilantes, com a certeza que atrás da tempestade vem sempre a bonança e que no fim da noite nasce sempre o dia.