OS POETAS VEÊM MUITO LONGE

O futuro e os poetas

Os poetas têm olhos de futuro.

Antecipam, muito mais que qualquer cartomante, o que vai acontecer. Há muitos, muitos anos, muito antes da grande crise financeira de 2008, Roger Wolfe, um grande poeta que escreve em espanhol apesar de ser britânico (vive há muitos anos em Espanha), sentenciou:

«A poesia / é uma arma/ carregada de futuro / E o futuro é / do Banco / Santander».

Sim, o poema não é brilhante. O que é brilhante é que o poema antecipou em muito o viria a acontecer: o Banco Santander tornou-se o maior banco de Espanha e um dos maiores a nível europeu.

Lembrei-me deste poema a propósito da minha amiga Maria Quintans, que todos os dias trava uma luta sem desfalecimentos em defesa da Poesia, escrevendo-a e editando-a. Já abriu e encerrou editoras, já lançou e fechou revistas mas não desiste.

Em 2012 pediu a vários poetas para escreverem e lhe enviarem poemas sobre a morte. Chamou-lhe «Meditações sobre o fim – Os últimos poemas».

Se isto não foi antecipar o futuro que vivemos hoje, não sei o que é antecipar o futuro.