O QUE ESTÁ A CORRER BEM

Bom dia, meus amigos. Depois de tantas más notícias, está na altura de olharmos para o que está a correr bem. E há vários exemplos.

O primeiro, no plano internacional, tem a ver com a redução espetacular das emissões de CO2 que há tantos anos vem preocupando governos, ambientalistas e milhões de pessoas em todo o mundo por ser o caminho directo para tornar inviável a vida na Terra. Pois é possível ver em imagens que foram disponibilizadas como em cidades altamente poluídas, o facto das pessoas terem ficado em casa durante quinze dias limpou rapidamente as nuvens poluentes que as envolviam.

O que daqui se conclui é que 1) as emissões de CO2 resultam essencialmente da atividade humana e não das pobres vacas, que estavam a ser responsabilizadas por grande parte dessas emissões; 2) a Terra tem uma enorme capacidade de recuperação, se os humanos lhe derem essa possibilidade através de comportamentos mais amigos do ponto de vista ecológico.

Devido às medidas de restrição a que a pandemia obriga, o mundo está a emitir menos um milhão de toneladas de dióxido de carbono por dia com a quebra no consumo de petróleo. Se à redução na procura de petróleo se juntar o abrandamento do consumo de carvão, as estimativas indicam que as emissões mundiais de CO2 podem reduzir-se este ano em cerca de 7%. O que prova definitivamente que está nas nossas mãos melhorar o ambiente que nos rodeia. Só é necessário vontade política e comportamentos cívicos responsáveis.

Depois, o confinamento a que as pessoas estão sujeitas tem levado igualmente a uma quebra enorme nos acidentes de viação e nos mortos e feridos que deles decorrem. Era uma perda estúpida de vidas humanas, um massacre diário, que agora se reduz drasticamente.

Um dos aspetos mais importantes desta crise é a resposta heroica e extremamente generosa de todos os que estão ligados ao serviço nacional de saúde e que estão a trabalhar muito para lá do que lhes é exigido, não obstante correrem o risco de ser contaminados. E também extraordinária foi a resposta de mais de mil médicos que, estando reformado, disseram presente à chamada da respetiva Ordem, para voltarem ao trabalho. Todos são heróis, os nossos heróis. São eles o sustentáculo de algo que os portugueses mais gostam, o Serviço Nacional de Saúde.

É igualmente de assinalar a capacidade de entreajuda dos portugueses, com muitos a voluntariar-se para ajudarem pessoas idosas levando-lhes comida e outros produtos de que necessitam, assim como o elevado sentido de responsabilidade de que temos estado a dar provas, mantendo-nos em confinamento. Aliás, ainda ontem, o site francês France Inter, sob o titulo «O mistério português face ao Covid-19», explicava que uma das razões para a situação ser muito menos grave em Portugal que em Espanha tinha a ver, entre outras razões, com o facto dos portugueses serem muito mais disciplinados que os espanhóis.

No plano industrial, várias empresas portuguesas que produziam peças para automóveis ou impressões 3D reinventaram-se e passaram a produzir viseiras e máscaras, enquanto outras ligadas ao setor têxtil estão a produzir máscaras e batas. Empresas de calçado reorientaram-se para produzir máscaras e viseiras, e outras ligadas à produção de cerveja e aguardentes passaram a produzir  gel desinfetante. Um centro tecnológico está já a desenvolver um protótipo para que seja possível construir ventiladores em Portugal. Outra empresa faz apps didáticas para os miúdos em que o herói do jogo lava as mãos e distribui máscaras.

Perante a perspectiva do esgotamento dos testes de diagnóstico, Maria Manuel Mota, investigadora na área do parasita da malária e diretora do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Universidade de Lisboa, lançou o desafio a um grupo de cientistas do seu instituto e construíram kits de diagnóstico, esperando começar a fazer rapidamente 300 testes por dia. O objetivo é chegar aos mil. Os resultados demoram entre duas a três horas.

Uma última palavra para os políticos, sempre muito vilipendiados. O primeiro-ministro tem-se assumido como o líder no combate à pandemia, mas recebeu de todos os dirigentes dos partidos na oposição um apoio inestimável, que colocaram de lado o combate político-partidário em nome da união contra o coronavirus. É uma posição de enorme responsabilidade e sentido nacional. Por uma vez, saúdem-se os políticos que temos. E esperemos que estejam até ao final desta guerra à altura das suas responsabilidades.