DAR DINHEIRO ÀS PESSOAS

Pessoa a segurar notas de euro na mão.
©Christian Dubovan

Bom dia, meus amigos.

E aqui estamos nós com a vida em suspenso como nunca imaginámos que nos pudesse acontecer. Adiante. Temos de olhar para o lado positivo. A pandemia pode ser travada. Foi travada em Macau e na China, que não regista novos casos internamente. Os que aparecem vêm de fora.

Ontem, em Itália, morreu outra vez muita gente, mas ligeiramente menos que no dia anterior. Também há muitos sobreviventes. E apesar da irresponsabilidade de líderes como Trump, Boris Johnson e Bolsonaro, os bons sinais mostram que o coronavirus pode ser travado desde que exista um enorme sentido de responsabilidade dos cidadãos e liderança e medidas corretas e atempadas por parte dos Governos, além do sentido nacional dos partidos da oposição.

A contrapartida do combate à pandemia é o afundamento brutal das economias. Não é por acaso que todos os dias as bolsas dão trambolhões históricos. Os resultados das empresas vão ser um desastre. Muitas podem vir a fechar. Haverá milhões de despedimentos em todo o mundo.

Ora para situações excepcionais exigem-se respostas excepcionais.

Por exemplo, em Portugal porque não entregar diretamente um cheque de 400 euros a todos os trabalhadores a recibos verdes ou por conta de outrém que tenham um rendimento médio mensal inferior a 1500 euros brutos? É de admitir que haja dois milhões de pessoas nesta situação. Seriam 800 milhões de euros. Em três meses seriam 2,4 mil milhões de euros.

O pacote anunciado de apoio às empresas é de 9,2 mil milhões.

Qual seria a vantagem?
O dinheiro chegaria rapidamente às mãos das pessoas. Adiamentos nos pagamentos das contribuições fiscais ou para a Segurança Social não resolvem nenhum problema e são isso mesmo: adiamentos. Aliás, nos apoios concedidos às empresas, já se ouvem os alertas sobre o que vai acontecer: a burocracia e a desconfiança dos bancos vão levar a que o dinheiro demore dois a três meses a chegar a quem dele necessita para manter as portas abertas.

E alguém acredita que pequenos negócios, que empregam dois ou três estrangeiros, não vão fechar porque talvez um dia recebam alguma verba do Estado para manter os postos de trabalho? Esqueçam.

Nos Estados Unidos há especialistas que já admitem uma quebra de 50% do PIB. Na Europa a economia está quase parada. A recessão é inevitável. O desemprego vai explodir. Tempos excepcionais exigem soluções excepcionais.

Entregar dinheiro diretamente às pessoas é uma delas.