AQUILO QUE NOS ERA IMPRESCINDÍVEL

Fiquemos em casa

Antes da sexta-feira, 13 de Março, nenhum de nós imaginaríamos que a nossa vida ia levar uma volta tão completa.

Estamos verdadeiramente a viver num estado de guerra. A única diferença é que não rebentam bombas à nossa volta ou não vemos as nossas casas ser destruídas por mísseis. O inimigo é bastante mais insidioso. Não se vê, pode estar em qualquer lado e ser-nos passado por alguém de quem gostamos muito. O combate é assim muito mais difícil. Não vemos o inimigo. E assim é mais complicado ripostar-lhe.

Como é possível acreditar que, apesar de estarem dias de sol lindíssimo, o melhor mesmo é ficar em casa para nos protegermos do bicho? Mas ele pode estar na praia? Pode. E nós vamos ter de passar sem ela, a praia, durante alguns meses.

E o futebol, esse ópio do povo, que une a tribo dos homens aos fins de semana e à semana, ou seja, todos os dias?
Alguém imaginaria que vamos passar semanas, meses, sem que se jogue um único jogo a contar para a Champions, para a Liga Europa ou para as ligas nacionais? Que provavelmente este ano não haverá campeões nacionais nem europeus? Que não haverá o campeonato europeu entre seleções, nem os Jogos Olímpicos de Tóquio?

Pois, estamos a descobrir que podemos muito bem passar sem isso tudo, sobretudo quando o que está em cima da mesa é uma questão de vida ou de morte.

Pode ser que assim, quando vierem melhores tempos, passemos a relativizar acontecimentos e interesses que antes eram para muitos de nós uma questão… de vida ou de morte.